sábado, 4 de maio de 2013

Palavras leva o mar


PALAVRAS LEVA O MAR
Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.
A notícia é boba. Talvez tão insignificante e desprovida de veracidade quanto à criação de uma praia de nudismo nas cercanias de Maceió. A histórica Marechal Deodoro, que tem como secretário de cultura o imortal da AAL, ninguém menos que Carlito Lima, seria a sede do erótico empreendimento. Tão inconsequentes e pueris quanto as discussões moralistas da nobre edilidade maceioense. Nudismo, aliás, que entre nós já é praticado há vários anos sob o beneplácito geral. Os assíduos frequentadores das praias já se habituaram a visões paradisíacas de corpos dourados, quase desnudos (como estatísticas no Brasil), que mostram tudo, mas ocultam o essencial. João Pessoa tem praia de nudismo há séculos e não consta ser a cidade com índices alarmantes de estupros.

Tudo é relativo, já dizia o cientista. O próprio Monsenhor Luiz Marques, flagrado em cenas de homoerotismo das mais calientes, consta ter sido um rigoroso paladino dos costumes. Não admitia que as mulheres frequentassem o templo com vestes que fugissem ao padrão de sua rígida moral. A crônica arapiraquense registrou momentos da sagrada ira clerical. Numa das vezes, incomodado pela exuberância de um busto, condicionou o uso da sua estola para iniciar a liturgia e abençoar os noivos.

Ficou famoso – pelo ângulo mais grotesco – o sacerdote que cancelou uma cerimônia de casamento porque intuiu, ou brechou, que a noiva havia dispensado duas peças do vestiário, a calcinha e o sutiã. A revolta aumentou ao descobrir, após exame ginecológico na sacristia da igreja,a depilação genital da nubente.

Palavras leva o mar. É papo furado o argumento de que praia de nudismo incrementa estupros. Na Índia, onde as mulheres refugiam-se em vestes pesadas, são cada vez mais frequentes os casos de violência sexual.

Na Europa, branquelas e branquelos, como prevenção ao raquitismo e osteoporose, tem-se como hábito a maior nudez possível, durante os econômicos verões. Não há referências a atentados ao pudor nas badaladas praias do sul da França, onde o topless é pièce de résistance.

Falo de nudismo,e logo surgem as nudezas morais dos mensaleiros,dentre outras, capitaneadas, segundo o STF, por Zé Dirceu, o Robinson Crusoe das praias cubanas.

Com efeito, em entrevista na mídia hegemônica e rancorosa, o guerrilheiro, desta vez, descarregou sua ira na alma do ministro Fux. Dirceu não se conforma com a condenação. Suas palavras, no entanto, atingem corações ementes dos companheiros governantes.

Dor de dente nas costas


DOR DE DENTE NAS COSTAS
Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.
O que poderia haver de comum entre o ator americano Jeff Chandler, o ex-craque Roberto Rivelino, o malsinado John Kennedy, o general Figueiredo, o escritor Otto Lara Resende e mais milhões de brasileiros pobres, ricos, brancos, negros e mulatos? Uma doença conhecida como hérnia discal,responsável por grande parte do absenteísmo ao trabalho. Doença que sobrecarrega as previdências sociais do mundo inteiro.

Jeff Chandler era um sujeito imenso de quase dois metros de altura. Não tenho grandes recordações de sua atuação como ator. Por um cacoete da profissão, liguei-me ao seu prontuário médico. Tinha em torno de 40 anos quando foi submetido a uma cirurgia de hérnia de disco, nos anos 60. Uma infecção generalizada, adquirida no pós-operatório, teria sido a causa do seu falecimento precoce.

O “Garoto do Parque”, referência ao Parque São Jorge, ambiente onde floresceu o “cracaço” Rivelino, apesar da sua consistência musculosa, também foi vítima desse problema. De vez em quando ia para o estaleiro. Os jornais comentavam sobre uma “ciática” recorrente, mal cuidada. As más línguas, palmeirenses ou santistas, espalhavam que o canhoto de chute amedrontador “amarelava” e inventava essa queixa.

JFK sofria desse mal. Como ninguém está livre do comentário malsão, dizia-se, nem tanto à sorrelfa, que o presidente americano, de tanto usar analgésicos em doses cavalares, teria uma dependência química. Consta nunca ter sido operado. A musa Marilyn Monroe, uma das grandes paixões do líder, teria feito inconfidências sobre as penúrias gravitacionais do casal nos momentos de maior arrebatamento.

O colunista da Folha de S.Paulo, Lara Resende, já era um homem idoso quando decidiu operar-se de uma hérnia discal, no Rio de Janeiro. Certamente a idade avançada contribuiu para o comemorativo funesto.

O homem que preferia o cheiro das estrebarias ao do povo sofreu pra caramba. O país acompanhou seu calvário. Figueiredo tentou tudo. Do fisiatra oriental às curas espirituais. A definição de sua dor reverberou mundo afora: “uma dor de dente nas costas”. Terminou no bisturi do neurocirurgião. Cavalgar, nunca mais.

Somente dez por cento dos portadores chegam à sala de cirurgia. A maioria convive bem com suas hérnias.

De quando em vez, há uma recorrência dolorosa contornada com medicação sintomática e repouso. Às vezes, a infiltração anestésica atua na contratura muscular, aliviando de forma passageira a contratura e a dor.

A cura definitiva é obtida somente pela exérese da lesão, por processo cirúrgico. Poucos centros no Brasil, por razões óbvias, podem dispensar a presença do neurocirurgião.

Alagoas não está incluída nesse rol. O implante de material de síntese em hérnias simples eleva custos e, sobretudo, riscos de maior morbidade.

Bolsa Mensalão

Abro os jornais e vejo a foto do gladiador José Dirceu. Ele voltou. Um mártir! Comandante em chefe de uma legião acima de qualquer suspeita, teve generais de primeiríssima qualidade. No seu batalhão, não havia soldados rasos. Um esquadrão de elite. Num país de tão fraca memória, não se pode deixar de homenagear essas heroicas figuras.

É impossível esquecer do José Genoino, cidadão de uma grandeza moral que não se encontra mais. Pudera! O que se espera do presidente de um partido que nem rouba nem deixa roubar?

Professor Delúbio é outro incompreendido. Imaginem o sacrifício deste rapaz! Durante longos anos, dedicou-se a dar aulas. Somente um espírito superior poderia suportar aquele horrível pó de giz penetrando nas unhas, correção de provas... Um cara brilhante a elucidar complexos problemas da matemática. Há quem diga, até, que teria sido um dos operadores da duplicação do cubo. Era

secretário do partido da ética e da moral, enquanto mourejava na quadrilha, digo, na equipe, de Zé Dirceu.

Tesoureiro do PT, o doce Silvinho foi um dos generais daquela histórica cruzada cívica, o mensalão, que marcou o início glorioso do governo do tipo mais ético do país, ninguém menos que Luiz Inácio. Silvinho teve participação tão destacada que foi agraciado pelos empresários com uma Land Rover, premiação apenas concedida aos ungidos.

Outra vítima da intolerância da Suprema Corte, Marcos Valério foi uma das maiores aquisições do chefe Dirceu. Louve-se o faro do guerrilheiro. Veterano de outras guerras, Valério trazia marcadas no peito batalhas sob as montanhas ferrosas de Minas, onde teria cunhado seu pendor. Investia nas ambições pecuniárias de amigos e eventuais adversários. A intimidade com as diretorias de casas bancárias deixaria Rockfeller envergonhado. Não se sabe bem o porquê, mas nosso guru, Luiz Inácio, não pode ouvir falar desse nome.

Dentre outros, duas palavras sobre João Paulo, um dos heróis do mensalão. Sua pureza d’alma é tão comovente que não hesitou em mandar sua santa esposa apanhar na boca do caixa uma premiação de modestos cinquenta mil. O impressionante é a humildade do sujeito: presidente da Câmara dos Deputados submeter-se a merreca tão acachapante.

Restam, assim inexplicáveis, as condenações pelo STF. Não fora a imprensa escrava, amordaçada pelo capital estrangeiro, a inventar coisas contra esses mártires e tudo estaria resolvido. Urge anular. Nada de novo julgamento. Inocentes não são julgados. A hora é de pedir desculpas. Além disso, para compensar danos morais etc., há que se criar uma Bolsa Mensalão para as vítimas. Por fim, é imprescindível empastelar essa imprensa nojenta, a soldo do sujo dinheiro de Margaret Thatcher e Ronald Reagan.

Boletim da SBN


MÉDICO NEUROCIRURGIÃO OCUPA CARGO NA ACADEMIA ALAGOANA DE LETRAS

“Um dos melhores textos da imprensa alagoana, o médico Ronald Mendonça, é o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras. Ele foi eleito para ocupar a cadeira de número 15, vaga após a morte de dom Fernando Iório.
 O patrono da cadeira 15 é o poeta  penedense  Sabino Romariz. Todo sábado, Ronald Mendonça brinda os leitores da Gazeta com seus textos incisivos e inteligentes. A Academia de Letras faz justiça a uma figura respeitada."
 Dr. Ronald Cabral de Mendonça é Médico Neurocirurgião, fez Residência no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.
 Fonte: Fatos e Notícias - Gazeta de Alagoas – 06/10/11

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Palavras leva o mar

asus.com/download/PALAVRAS LEVA O MAR


RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL





A notícia é boba. Talvez tão insignificante e desprovida de veracidade quanto à criação de uma praia de nudismo nas cercanias de Maceió. A histórica Marechal Deodoro, que tem como secretário de cultura o imortal da AAL, ninguém menos que Carlito Lima, seria a sede do erótico empreendimento. Tão inconsequente e pueril quanto as discussões moralistas da nobre edilidade maceioense. Nudismo, aliás, que entre nós já é praticado há vários anos sob o beneplácito geral. Os assíduos frequentadores das praias já se habituaram a visões paradisíacas de corpos dourados, quase desnudos (como estatísticas no Brasil), que mostram tudo, mas ocultam o essencial. João Pessoa tem praia de nudismo há séculos e não consta ser a cidade com índices alarmantes de estupros.
Tudo é relativo, já dizia o cientista. O próprio Monsenhor Luiz Marques, flagrado em cenas de homoerotismo das mais calientes, ganhou fama por ter sido um rigoroso paladino dos bons costumes. Não admitia que as mulheres frequentassem o templo com vestes que fugissem ao padrão de sua rígida moral. A crônica arapiraquense registrou momentos da sagrada ira clerical. Numa das vezes, incomodado pela exuberância de um busto, condicionou o uso da sua estola para iniciar a liturgia e abençoar os noivos.
Ficou famoso – pelo ângulo mais grotesco - o sacerdote que cancelou uma cerimônia de casamento porque intuiu, ou brechou, que a noiva havia dispensado duas peças do vestiário, a calcinha e o sutiã. A revolta aumentou ao descobrir, após exame ginecológico na sacristia da igreja, a depilação genital da nubente.
Palavras leva o mar. É papo furado o argumento de que praia de nudismo incrementa estupros. Na Índia, onde as mulheres refugiam-se em vestes pesadas, são cada vez mais frequentes os casos de violência sexual. Na Europa, branquelas e branquelos, como prevenção ao raquitismo e osteoporose, tem-se como hábito a maior nudez possível, durante os econômicos verões. Não há referências a atentados ao pudor nas badaladas praias do sul da França, onde o topless é pièce de résistance.
Falo de nudismo, e logo surgem as nudezas morais dos mensaleiros, dentre outras, capitaneadas, segundo o STF, por Zé Dirceu, o Robinson Crusoe das praias caribenhas. Com efeito, em entrevista na mídia hegemônica e rancorosa, o guerrilheiro, desta vez, descarregou sua fúria na alma do ministro Fux. Dirceu não se conforma com a condenação. Suas palavras, no entanto, atingem corações e mentes dos companheiros governantes

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SUTIL COMO UMA TENTAÇÃO


SUTIL, COMO UMA TENTAÇÃO

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL

  Tenho dúvidas se o mundo, o Brasil, ou mais especificamente a Bahia de Todos os Santos (e de todos os pecados) ficaram mais ou menos felizes com a saída de Daniela Mercury do armário.   A ex-rainha do axé   não surpreendeu. Pessoas do ramo e entendidos de uma maneira geral já retinham essa informação. Não obstante, porcos machistas chauvinistas irão conservar  a sedutora imagem da cantora: sem chegar a ser bela, olhar maroto, malicioso, seios e coxas insinuantes em decotes e recortes  rasgados em diáfanos tecidos.

Mercury, que vivenciava certo ostracismo no show business nacional, perdendo espaço para Ivete Sangalo e Cláudia Leite, terá agora um plus no  interesse popular.  É possível que seu prestígio  volte aos píncaros. A baiana engrossa a fileira dos homossexuais egrégios que,  nos últimos dias,v resolveram escancarar suas vidas privadas.  

Quer-se crer que a sociedade está madura para conviver  com as diferenças. O homoerotismo está nas praças e becos. Novelas de TV fazem a apologia do relacionamento. A história há de fazer justiça ao deputado evangélico Feliciano, hoje execrado por supostos comentários ofensivos a gays e negros. Involuntariamente, tem papel preponderante na queda do nível de hipocrisia no país. Pessoas que se  ocultavam, hoje acariciam-se e beijam-se abertamente. O risco é exagerar e tornar o homossexualismo dever de Estado.

O preconceito ainda dá seus mugidos. Há alguns meses, o malcriado botafoguense Aguinaldo Timóteo ficaria furibundo com  um apresentador de TV, justamente por ter sido enaltecido como um exemplo de homossexual assumido. Em compensação, Falabella, Gabeira e outros, com orgulho, declararam suas preferências.  Sobretudo quando a gente lembra que até  bem pouco tempo Cauby Peixoto e Agnaldo Rayol faziam pose de garanhão é que se tem a percepção dessas exposições.

 Não é fácil vencer  com uma prévia condenação bíblica. Ao dar-se créditos a fantasiosos (e escrachados) diálogos entre Jeová e Abraão decidindo o destino  de    cidades onde o homossexualismo vicejava, legou-se uma carta de  maldição. Se Cristo foi misericordioso com prostitutas, ladrões e até com seus algozes, Seu Pai foi  extremamente inamistoso   com a comunidade gay de Sodoma e Gomorra.

A bondade de Deus tem permitido que ventos liberais varram as peias judaico-cristãs, que insistiam em culpabilizar   as tentações eróticas.  Não é um trabalho solitário. Correntes gays do PT, PC do B, PSOL, dentre outros, são fundamentais à causa. Nada, contudo, seria possível sem a heroica participação  de  Dilma Rousseff.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O amor não pede licença ao mundo


RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL

É redundante reafirmar que o desmantelo do HGE é apenas ponta do iceberg, de um problema do tamanho do país.
Não sei se consola os alagoanos, mas, no período da matéria/denúncia da Gazeta de Alagoas, de domingo passado (17/03), as TVs exibiram o mesmo caos em hospitais de Minas Gerais. Na verdade, há um rodízio nas denúncias,  para diagnosticar o campeão dos piores, se Brasília, São Paulo, Recife, Fortaleza... Há quem garanta que não existe nada parecido com o HGE de Maceió. Folgadamente, o pior dos piores.
Há anos escrevo sobre esse tema. Discordo quando se tenta datar o desmantelo em 2007. Dá a impressão de que tudo corria maravilhosamente até então. A Saúde bombavaTempos bons (!?): os médicos ganhavam bem (?) e o sindicato achava o governo o máximo.
A ressalva não diminui a responsabilidade dos governantes. Na realidade o desmonte da Saúde começou lá atrás, meados dos anos 80, ainda na ditadura, moeda de troca, sindicalistas/sanitaristas aboletaram-se nas secretarias de Saúde. Cubanistas de carteirinha, sonhando com a Albânia, esses caras traziam na alma poços de mágoa.  
Um dos pontos altos dessas gestões foi a compra de uma carreta “fechada” de supositórios de glicerina... Em meio a grandes farras e memoráveis surubas desconstruiu-se impiedosamente a assistência hospitalar. Graças a Deus que restaram o Hospital Einstein e Sírio Libanês para devolverem voz, violão e tesão ao querido guru Luiz Inácio, o nosso São Jorge de Bordel.
Se o HGE superlotado é essa podridão, onde ratos, baratas, dejetos humanos e restos de membros dividem lençóis com pacientes, a raiz dos problemas atende pelo nome de SUS. Nada mais que uma sigla, o SUS humilha médicos e hospitais conveniados. Só suicidas (ou amigos do rei) aceitam transferir os doentes infectados do HGE.
Faltam verbas? Petrópolis chafurda por tríplice incúria: federal estadual e municipal. A síntese da Educação está no Enem. A Segurança é uma vergonha. Enquanto isso, nossa piedosa presidente está em Roma, numa Dolce Vita (só falta o Mastroiani). Ironia das ironias. Presente à posse de um papa que dá lições de humildade, profundo mistério ronda a recusa de Dilma para hospedar-se no prédio da Embaixada. Com seu séquito milionário conquista Roma, que cai de quatro diante de tanta ostentação. Luxo pago pelos usuários do SUS, como uma lânguida Cleópatra, deleita-se em boas companhias num dos 
hotéis mais  caros da Urbe. Curiosos e palpiteiros juram: quando o amor acontece não pede licença ao mundo.