Traíras e aloprados
Malgrado os ataques de soberba do próprio, ainda não foi desta vez que Luiz Inácio Lula da Silva emplacou a reeleição. Faltando um cabelinho de sapo de votos, áulicos governamentais e palpiteiros acreditam, no entanto, que a confirmação da continuidade administrativa federal é uma questão de tempo. Para tanto, bastaria que uma minguada parcela de votos de Heloísa Helena migre de volta para o colo de Lula.
Apesar do curral eleitoral gerado pelo Bolsa-Família, é possível que Lula não tenha a mesma facilidade que marcou sua eleição há quatro anos. Com o declínio moral e administrativo do governo de Fernando Henrique, as chamadas esquerdas (especialmente PT) simbolizavam mudança, ética, honestidade, enfim, a esperança. Ninguém se daria conta de que a fraude petista ficaria projetada naquele filme da campanha de 2002, que exibia o candidato “pilotando” uma imensa mesa enxameada de notáveis debruçados num suposto plano de governo.
Era tudo de mentirinha. O plano era uma matreirice do marqueteiro Duda Mendonça. A coisa se resumia a um punhado de intenções, cujo destaque principal era justamente a proclamação do compromisso de não ruptura com o capital especulativo.
Seria a única promessa a ser cumprida, com sobras até. Com efeito, enquanto o funcionalismo público amargava aumentos de 0,01%, jamais o sistema financeiro sorriu tanto como nesse último quatriênio. Vá ser esquerdista assim na casa de chapéu!
Claro que ninguém esperava milagres. Com o governo transformado no paraíso de traíras e aloprados, na educação, canta-se vitória com a cota de vagas para os afrodescendentes (quero a dos meus netos também).
A situação da saúde é não menos calamitosa: quadrilhas a dilapidarem a coisa pública com esquemas de vampiros e sanguessugas enquanto o povão encara fila de meses para uma simples tomografia. Tudo isso nas barbas de um presidente que, comparando-se a Jesus e Tiradentes, jura não saber de nada.
O fato é que o primeiro turno das eleições de 2006 é página virada. Finalmente, agora garantindo que participará de todos, o medo de Lula para debater com outros candidatos não causaria boa impressão.
Embora superficial, além de temas gerais, quando os pretendentes têm oportunidade de demonstrar que estão prontos para enfrentar os desafios do cargo, haverá a chance de ouvir do candidato-presidente as novas versões sobre o papel dos traíras e aloprados do seu estafe.
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