sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A MAIS MARAVILHOSA DA MORTES


A MAIS MARAVILHOSA DAS MORTES

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL

Essa semana, o escritor Carlito Lima fez a entrega da nona edição do Prêmio Espia. Peço licença  para, em sua homenagem, transcrever esse texto extraído do O Amante de Lady Chartterley, de DH Lawrence, de 1927.

“Tiveram uma noite maravilhosa de paixão sensual; Constance, um tanto amedrontada, mas ao mesmo tempo assustada,  conheceu vibrações de sensualidade ainda mais fortes que das outras vezes. Vibrações diferentes, mais agudas, mais terríveis que as causadas pelo amor ternura e, no momento, mais desejáveis. Apesar de um pouco atemorizada, não se opôs a coisa nenhuma – e uma sensualidade sem freios e sem vergonha a sacudiu no mais fundo de si mesma, e a desfez dos últimos véus, revelando nela uma mulher nova. Não era propriamente amor. Não era volúpia. Era uma sensualidade aguda e ardente como o fogo que lhe transformava a alma em brasa.”

“E esse fogo destruía as mais velhas e profundas vergonhas das suas partes mais secretas. Custou-lhe certo esforço deixar que o amante usasse dela ao sabor de seus caprichos, reduzindo-a a simples coisa passiva, complacente como uma escrava – como uma escrava física. A paixão a devorava com chamas consumidoras e quando a violência dessas chamas alcançou o mais íntimo de suas entranhas, julgou estar morrendo – embora da mais maravilhosa das mortes.”

“Perguntava-se a si mesma que quereria significar Abelardo ao dizer que, durante o seu ano de amor com Heloísa, haviam passado por todos os estágios e por todos os requintes do amor. Agora compreendia. Era aquilo. Há mil anos antes! Já representada nos mais antigos vasos gregos. Os requintes da paixão, as extravagâncias da sensualidade! E era coisa necessária para destruir as falsas vergonhas e refinar em pureza o grosseiro minério do corpo.”

“Quanto não aprendeu nessa noite! Se lho contassem, teria admitido, seria coisa para matar uma mulher de vergonha – mas quem morreu foi a vergonha. A vergonha que não passa de medo; a profunda vergonha orgânica, o velho medo físico que se oculta nas raízes do corpo e que só pode ser expurgado por esse fogo sensual. Ao fogo da investida fálica do homem ela pôde alcançar o coração da floresta do seu ser.”

“Que mentirosos os poetas e toda a gente! Fazem-nos crer que só precisamos de sentimentos. Mas, na realidade, o que imperiosamente precisamos é dessa penetrante, ardentíssima e terrível sensualidade.”

 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A ÚLTIMA HOMILIA DA CATEDRAL


A ÚLTIMA HOMILIA DA CATEDRAL

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL

Há alguns anos,  entusiasmei  um tio a comemorar o seu aniversário. Afinal, não é todo dia que alguém consegue completar oitenta anos. No nosso caso, essa  razoável longevidade é irisada pelo fato de – talvez – carregarmos algum gene manco e preguiçoso  que nos impede de caminharmos nesse vale de lágrimas por mais tempo.

O velho tio organizou uma festa bonita e tudo levaria a crer, pelo vigor daquele momento, que finalmente aquele gene miserável estava definitivamente preso e amordaçado. Doce ilusão! O sonho de chegar aos noventa não resistiria a uma prosaica diarreia. Com a genética não se brinca.

Longe de mim  genéticas mágoas. Até pelo fato de haver vencido a barreira de seis decênios sem muitos sustos. Evitando foguetes, nesse janeiro comemorei o aniversário lavando o espírito com um belo  livro de memórias.  Lamentei não ter tido tempo de cumprimentar o autor, meu ilustre colega de Academia Alagoana de Letras, Humberto Gomes de Barros.

A ingratidão é um dos mais graves defeitos.. Talvez por isso haja no inferno uma coleção de suplícios especiais para esses espíritos canalhas. É justamente por isso que me apresso a agradecer Sexta-Feira 13 – Setembro de 1957, generosamente doado pelo irmão do autor, o médico Arnoldo G. Barros.

Juiz Federal e Ministro do STJ, filho de um deputado, HGB é testemunha quase ocular do atentado contra o pai, no famigerado tiroteio na Assembleia Legislativa de Alagoas, em 1957. É um banho de História.  Além de dissertar sobre fatos relevantes que culminaram no processo de impeachment contra o governador Muniz Falcão, o autor revela particular sensibilidade ao se fixar nos tipos humanos e nos costumes que marcaram a Província naquele período.

Populares quase esquecidos são alvos de suas análises. Negra Odete, a sensual e inesquecível orientadora sexual dos meninos da Avenida... O temido regateano Mário Braga, versão alagoana do João Valentão de Caymmi,  desaforado e terno, a ensaiar passos de rumba com famosa dançarina... Papa-Capim, o jornalista cara de pau que o introduziu na casa de Abraão Moura sendo divinamente recebido por D. Alaíde Moura...

Em meio ao desmantelo da política, Gomes de Barros, como que aliviando as dores, disseca o puteiro de Jaraguá. Ponto de encontro das elites culturais e políticas, no velho “Duque de Caxias”, conversava-se sobre tudo, “até sobre a última homilia da Catedral”.

 

 

sábado, 11 de janeiro de 2014

DE DEUSES E DE HOMENS


DE DEUSES E DE HOMENS

Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.

Grávida, a bela Coronis apaixonar-se-ia por um sujeito que não era o pai
do concepto que abrigava no seu ventre. Até aí, como cantava Reginaldo Rossi, era mais um caso banal de traição. O problema é que o pai biológico da criança se chamava Apolo, uma das divindades que habitavam o Olimpo. Não se trai um deus impunemente. Castigada pela audácia de chifrar o belo Apolo, a criança sobreviveria. Criado por um centauro, o menino, Asclépios ou Esculápio, demonstraria desde cedo especial dom para cuidar de doentes. Assim nascia o mito. O deus da medicina.

 Hipócrates, celebrizado no mundo leigo pelo Juramento, descende de Asclépios. De alguma maneira, o “Pai da Medicina” carregava no seu DNA genes da divindade Apolo. Talvez por isso os discípulos de Hipócrates sejam, por extensão, considerados “deuses”, sobretudo quando os casos dão certo.
E, naturalmente, antes de apresentarem os honorários, instante em que se transformam em “vis mercenários”, que só pensam em dinheiro.

 Falo de deuses e do Olimpo e logo me vêm exemplos de Olimpos da era contemporânea. As Casas Legislativas, as Assembleias, a Câmara, o Senado... São “céus na terra”, eventualmente ocupados por seguidores de Hipócrates. Recordo do professor Mello Mota, um dos mais notáveis homens públicos que essa terra gerou. Na verdade, não me ocorre nenhum parlamentar médico que tenha envergonhado Hipócrates ou Apolo. Jorge Quintella, Chico Arlindo, Oceano Carleial, Ulisses Botelho, Jurandir Bóia, dentre tantos, honraram Asclépios.

Houve uma época que havia mais médicos na Assembleia Legislativa do
que em qualquer reunião do CRM: Zé Bernardes, Oscar Fontes Lima, Moacir Andrade, Fernando Duarte, Galindo, Délio Almeida e outros que me escapam.

Ser parlamentar-médico, às vezes, pode revelar-se uma atividade de altíssimo risco. Marques da Silva, obstetra em Arapiraca, não obstante a índole pacífica, tombaria sob a mira de Cacheado. Seu pecado foi ter dezesseis votos a mais do segundo colocado. Ainda está para se descobrir: qual a falta do professor de anatomia Luiz Ferreira, um modesto vereador de um município miserável, para merecer ser metralhado tão covardemente? A morte de Ceci Cunha foi outra odiosa ignomínia.

 A lenda assegura que ao abandonarem a carcaça perecível, os espíritos dos médicos vão habitar a constelação do Serpentário, habitat de Asclépios. Por essa via, Oscar Fontes Lima, Cícero Canuto Arapiraca e Zé Bernardes estariam se reencontrando.

 

sábado, 4 de janeiro de 2014

AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS

 
 
Ele voltou ao velho bairro da infância. Sentou-se na praça. Avaliou a Matriz de Santo Antonio. Lembrou-se que os sinos foram doação de um dos moradores: Jacintho Nunes Leite. Portuguesinho arrojado! Montaria a primeira fundição no Estado. Botou água encanada no Centro da cidade, antes em Bebedouro. Foi concessionário do serviço de bonde à tração animal...
 
JNL era abolicionista. Cumpriria aquele ritual que dos abolicionistas endinheirados se esperava: comprava escravos e os alforriava. Fazia algo mais, como, por exemplo, dar-lhes emprego. Humanista e humanitário,  a Fábrica Carmen, de Fernão Velho, era uma das grifes do saudoso comendador.
 
O visitante também sabia que, naquela praça, onde agora mergulhava no seu passado, funcionou um cemitério. Inconformado com um sepulcrário naquela localização, Nunes Leite promoveria uma das mais radicais mudanças em um bairro. Para consolar os recalcitrantes, doaria os portões de ferro do novel campo-santo. Com direito à inscrição latina feita por ninguém menos que o jovem latinista Aloísio Galvão.
 
 Meu amigo de infância tinha pressa. Com os dias  de vida contados, jogava os últimos minutos de uma prorrogação com “gol da lua”. Reviu-se menino implorando vaga num time de feras. Não era craque, apenas um esforçado. Conspiravam a seu desfavor os fatos de ser negro, pobre e morar a oeste da “Praça”. Ou seja, além da estação ferroviária, fatal marco divisório entre “os ricos da Praça e os outros”.
A mãe era lavadeira. O pai, um negrão imenso e arredio, pescador, vozeirão de cantor de soul, de indefectível presença nas procissões. Estimado membro da Congregação Mariana, nas horas vagas, um incorrigível raparigueiro. Os lendários apetrechos masculinos do piedoso cristão, para desgosto do filho, a genética lhos negara. Para completar, em vez do tom abaritonado paterno, herdara ridículo vocal de intérprete de bossa nova. Mesmo assim, garantia, não dava vexames ao eleitorado feminino.
 
Era discriminado. Contudo, a performance do pai apararia arestas na convivência com a turma da “Praça”. Bolsista do Colégio Guido, embora medíocre, seria mais um credencial para participar
dos bailinhos no 29 de Junho, o clube do bairro...
 
 Aos prantos, segredou-me: tinha tudo para dar errado. Após algumas cabeçadas, fez carreira na Marinha. Hoje, comandante aposentado, depois de navegar pelos sete mares, antes de sua iminente morte física, quis, neste primeiro de janeiro, banhar-se de saudades.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

VIVER É ARRISCAR-SE


 Viver é arriscar-se

Ronald mendonça

Médico e membro da AAL

 

Ignoro se a morte do cantor Reginaldo Rossi repercutirá além-fronteiras , reverberá em terras lusas,ou na Lutécia, capital francesa, neste ultimo recanto, movida pela breguíssima Mon Amour, Meu Bem, La Femme. Rossi  jactava-se de cantar em francês justamente por repetir esse ridículo refrão que levava os fãs ao delírio.

O “Rei” não era o pior cantor do mundo, obviamente. Seu histórico remonta aos tempos da Jovem Guarda, da TV Record. Sempre foi um coadjuvante. Esquentava microfones e plateias para os astros principais brilharem. Marca dessa época, o tom fanhoso de Roberto Carlos grudaria na sua voz.

Depois de longo período de ostracismo, eis que ressurgiu cantando o conspícuo “Garçom”. Estouraria a boca do balão: “Garçom, aqui nessa mesa de bar/ você já cansou de escutar/centenas de casos de amor...”

O tema é surrado.  Mas, o fato é que o sucesso foi de tal ordem que não havia pessoa, entre os brasileiros vivos ou mortos, que não tivesse alguma compaixão  das dores daquele infeliz chorão. O mundo é cruel! Nosso herói acabara de receber uma carta que o tirou de tempo e o jogou na sarjeta, digo, na mesa de um bar qualquer.

Que carta! Deixaria em frangalhos o coração do preterido. Não era para menos: o seu grande amor iria casar com outro, justamente naquele dia. Não obstante, não guardava rancor. Filosofava resignado. Queria mais era afogar  suas tristezas até que o sono o derrubasse. E, pelo amor de Deus, que o deixassem no chão.

Resgatado das cinzas do obscurantismo, cantou à exaustão em todo Brasil. Figura carimbada em comícios, tornou-se um cult. Salões de intelectualóides entrevistavam o redivivo intérprete.  Foi xodó de  existencialistas, comunistóides, musicólogos modernosos, micos-leões dourados e outras espécimes em extinção.

Embora sem repetir o sucesso de Garçom, RR também faria a apologia do bom corno. Aí foram as feministas, os psicólogos avançadinhos, os sexólogos e os tiradores de sarro que investiram. Comentarista em glamurosos programas de TV, ar cínico, cercado de concupiscentes minissaias e umbilicais decotes,  dava lições de tolerância aos chifres. Virou ícone. Um guru sexual. Paixão nacional. Marido ideal.

Inimigos nem tão ocultos conspiravam. Incorrigível tabagismo parecia ser o mais ardiloso de todos. Em meio às badalações, o olhar de especialistas já vislumbrava ectoscopia e padrão respiratório compatíveis com lesões pulmonares irreversíveis. Dali para o vale das sombras foi um pulo.

sábado, 14 de dezembro de 2013

"BARBA", O ÓBITO MORAL


“BARBA”, O ÓBITO MORAL

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL

Cientistas políticos, historiadores e desocupados de todas as categorias estão diante de um pitéu de Natal para saborear. Trata-se do relato de Tuma Júnior dando conta de que Lula Silva, o “Barba” ou o “Boi”, como era conhecido nos aparelhos da repressão, foi um dos privilegiados informantes do Dops. Pelas anêmicas reações, quer-se crer que o fato já seria do conhecimento de todos. Infere-se que a  crise de liderança seja de tal monta que os companheiros preferiram digerir o sapo barbudo a degolá-lo.

Não há inverossimilhança. Afinal de contas, quando Inácio despontou na política sindical, os militares já não tinham tantos problemas com guerrilhas e terroristas. Ou seja, aparentemente, Lula fazia barulho e greves por melhorias salariais, peitava as montadoras de São Bernardo sem se incomodar se vivíamos ou não sob restrições.

Por esse prisma, a milicada  recebia um verniz para poder mostrar-se ao “mundo livre” que por aqui “as coisas fluíam, posto que  até greves de trabalhadores eram permitidas”. Lula estourava a boca do balão com discursos raivosos (nas horas vagas jogava charme para incautas viuvinhas) e a ditadura ainda saía bem nas fotos. São especulações que poderiam ser melhor esclarecidas pelo falecido general Golbery,  “o cérebro do regime”, a essa altura somente em alguma sala mediúnica.

É comum apelar-se para a tortura (caso Genoíno e outros delatores) quando se tenta justificar esse tipo de incontinência verbal. De fato, o cara na borracha, no afogamento, no choque elétrico e não abrir o bico... Talvez aí resida o porquê do paradoxo de um Genoíno, uma Dilma, sobreviverem à tortura e um intelectual desarmado -Herzog, por exemplo- ser assassinado. Lula não se inclui entre os supliciados.

Qualquer que fosse o mote, a grande verdade é que vicejava uma espécie de cultura da “oposição confiável”. Havia um MDB dócil, sim, não necessariamente submisso, que pretendia, talvez, que o País caminhasse para uma normalidade democrática. Mas que aceitava, ao menos temporariamente, as imposições da caserna.  Os grandes exemplares dessa fauna eram os  políticos do Rio de Janeiro, “oposicionistas” (chaguistas et caterva), que tinham seus nomes chancelados pelo regime.

Assim, a cínica promiscuidade de um sindicalista com uma ditadura de direita termina sendo palatável. Um pecadilho sem maiores consequências diante daquele conceito de “sindicalismo de resultados”.  É claro que não se trata de um Judas, de um Joaquim Silvério dos Reis... Rigorosamente, nem merece  entrar na História. Não há decepção. Apenas  a constatação do óbito moral.

 

domingo, 8 de dezembro de 2013

SONHOS E DORES

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA
SONHOS E DORES
 RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.
                                                                      


A eleição (e a posse) do poeta Jucá Santos para uma cadeira na Academia Alagoana de Letras resgata uma dívida moral. Com efeito, o eterno presidente da Academia Maceioense de Letras era uma ausência doída na vetusta AAL, uma lacuna que precisava ser preenchida urgentemente. Repito o que alguém disse aos pares, em informal cabala de adesões: “Os velhos têm pressa”. De fato, chega-se a determinados estágios em que praticamente nada pode ser adiado para o dia seguinte. Aos oitenta anos, não há pospores...

Não fora a liturgia do cerimonial, não obstante o inflamado discurso de Ricardo Nogueira, que, em nome da Academia, deu as boas-vindas ao empossado, Jucá Santos tem tanta e tamanha visibilidade no meio cultural da Província que dispensaria a formalidade da apresentação.

Dispenso-me gastar o meu enferrujado latim para dizer que Jucá tem uma respeitável obra literária. “Produto” resultante da mistura de um poeta com uma pianista, trazendo no genoma a imorredoura marca do consagrado avô Cipriano. Está assim explicada a força criativa dessa conspícua figura que há tantos anos passeia entre as musas e as encanta encanta e seduz.

Quis o destino que no exato dia em que Jucá Santos concretizava o sonho de adentrar-se triunfalmente no oratório literário da Praça Deodoro, uma outra figura despedia-se da vida deixando um legado de coragem e determinação. Falo de Nelson Mandela. 

Em rápidas pinceladas foi traçado o perfil do grande líder, um exemplo para os que se arvoram de líderes e não passam de incorrigíveis picaretas. Presidente do seu país com quase 80 anos de idade, após vinte e sete anos confinado num cubículo de cinco metros quadrados, apesar de comunista, Mandela recusou-se sentar na cadeira presidencial eternamente. O recado foi claro: há prisões em que o sujeito sai maior. O outro é que mesmo comunista o cara pode não sonhar com partido único, jornal único e pensamento único. Lições que poderiam inspirar Genoino, Zé Dirceu e companheirada.

Condenado à prisão perpétua, era um comuna que respeitava adversários; que costurou o fim do apartheid com um adversário ferrenho, branco e rancoroso, cinco anos antes de livrar-se das algemas. Feridas da alma (e na augusta fronte) certamente o grande líder as sepultou. Sua digna esposa, recalcitrante, ao chifrar o nosso herói, não tenham dúvidas, magoou o mundo. Sobretudo o masculino.

Não há sonhos sem dor