sábado, 4 de maio de 2013

Boletim da SBN


MÉDICO NEUROCIRURGIÃO OCUPA CARGO NA ACADEMIA ALAGOANA DE LETRAS

“Um dos melhores textos da imprensa alagoana, o médico Ronald Mendonça, é o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras. Ele foi eleito para ocupar a cadeira de número 15, vaga após a morte de dom Fernando Iório.
 O patrono da cadeira 15 é o poeta  penedense  Sabino Romariz. Todo sábado, Ronald Mendonça brinda os leitores da Gazeta com seus textos incisivos e inteligentes. A Academia de Letras faz justiça a uma figura respeitada."
 Dr. Ronald Cabral de Mendonça é Médico Neurocirurgião, fez Residência no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.
 Fonte: Fatos e Notícias - Gazeta de Alagoas – 06/10/11

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Palavras leva o mar

asus.com/download/PALAVRAS LEVA O MAR


RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL





A notícia é boba. Talvez tão insignificante e desprovida de veracidade quanto à criação de uma praia de nudismo nas cercanias de Maceió. A histórica Marechal Deodoro, que tem como secretário de cultura o imortal da AAL, ninguém menos que Carlito Lima, seria a sede do erótico empreendimento. Tão inconsequente e pueril quanto as discussões moralistas da nobre edilidade maceioense. Nudismo, aliás, que entre nós já é praticado há vários anos sob o beneplácito geral. Os assíduos frequentadores das praias já se habituaram a visões paradisíacas de corpos dourados, quase desnudos (como estatísticas no Brasil), que mostram tudo, mas ocultam o essencial. João Pessoa tem praia de nudismo há séculos e não consta ser a cidade com índices alarmantes de estupros.
Tudo é relativo, já dizia o cientista. O próprio Monsenhor Luiz Marques, flagrado em cenas de homoerotismo das mais calientes, ganhou fama por ter sido um rigoroso paladino dos bons costumes. Não admitia que as mulheres frequentassem o templo com vestes que fugissem ao padrão de sua rígida moral. A crônica arapiraquense registrou momentos da sagrada ira clerical. Numa das vezes, incomodado pela exuberância de um busto, condicionou o uso da sua estola para iniciar a liturgia e abençoar os noivos.
Ficou famoso – pelo ângulo mais grotesco - o sacerdote que cancelou uma cerimônia de casamento porque intuiu, ou brechou, que a noiva havia dispensado duas peças do vestiário, a calcinha e o sutiã. A revolta aumentou ao descobrir, após exame ginecológico na sacristia da igreja, a depilação genital da nubente.
Palavras leva o mar. É papo furado o argumento de que praia de nudismo incrementa estupros. Na Índia, onde as mulheres refugiam-se em vestes pesadas, são cada vez mais frequentes os casos de violência sexual. Na Europa, branquelas e branquelos, como prevenção ao raquitismo e osteoporose, tem-se como hábito a maior nudez possível, durante os econômicos verões. Não há referências a atentados ao pudor nas badaladas praias do sul da França, onde o topless é pièce de résistance.
Falo de nudismo, e logo surgem as nudezas morais dos mensaleiros, dentre outras, capitaneadas, segundo o STF, por Zé Dirceu, o Robinson Crusoe das praias caribenhas. Com efeito, em entrevista na mídia hegemônica e rancorosa, o guerrilheiro, desta vez, descarregou sua fúria na alma do ministro Fux. Dirceu não se conforma com a condenação. Suas palavras, no entanto, atingem corações e mentes dos companheiros governantes

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SUTIL COMO UMA TENTAÇÃO


SUTIL, COMO UMA TENTAÇÃO

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL

  Tenho dúvidas se o mundo, o Brasil, ou mais especificamente a Bahia de Todos os Santos (e de todos os pecados) ficaram mais ou menos felizes com a saída de Daniela Mercury do armário.   A ex-rainha do axé   não surpreendeu. Pessoas do ramo e entendidos de uma maneira geral já retinham essa informação. Não obstante, porcos machistas chauvinistas irão conservar  a sedutora imagem da cantora: sem chegar a ser bela, olhar maroto, malicioso, seios e coxas insinuantes em decotes e recortes  rasgados em diáfanos tecidos.

Mercury, que vivenciava certo ostracismo no show business nacional, perdendo espaço para Ivete Sangalo e Cláudia Leite, terá agora um plus no  interesse popular.  É possível que seu prestígio  volte aos píncaros. A baiana engrossa a fileira dos homossexuais egrégios que,  nos últimos dias,v resolveram escancarar suas vidas privadas.  

Quer-se crer que a sociedade está madura para conviver  com as diferenças. O homoerotismo está nas praças e becos. Novelas de TV fazem a apologia do relacionamento. A história há de fazer justiça ao deputado evangélico Feliciano, hoje execrado por supostos comentários ofensivos a gays e negros. Involuntariamente, tem papel preponderante na queda do nível de hipocrisia no país. Pessoas que se  ocultavam, hoje acariciam-se e beijam-se abertamente. O risco é exagerar e tornar o homossexualismo dever de Estado.

O preconceito ainda dá seus mugidos. Há alguns meses, o malcriado botafoguense Aguinaldo Timóteo ficaria furibundo com  um apresentador de TV, justamente por ter sido enaltecido como um exemplo de homossexual assumido. Em compensação, Falabella, Gabeira e outros, com orgulho, declararam suas preferências.  Sobretudo quando a gente lembra que até  bem pouco tempo Cauby Peixoto e Agnaldo Rayol faziam pose de garanhão é que se tem a percepção dessas exposições.

 Não é fácil vencer  com uma prévia condenação bíblica. Ao dar-se créditos a fantasiosos (e escrachados) diálogos entre Jeová e Abraão decidindo o destino  de    cidades onde o homossexualismo vicejava, legou-se uma carta de  maldição. Se Cristo foi misericordioso com prostitutas, ladrões e até com seus algozes, Seu Pai foi  extremamente inamistoso   com a comunidade gay de Sodoma e Gomorra.

A bondade de Deus tem permitido que ventos liberais varram as peias judaico-cristãs, que insistiam em culpabilizar   as tentações eróticas.  Não é um trabalho solitário. Correntes gays do PT, PC do B, PSOL, dentre outros, são fundamentais à causa. Nada, contudo, seria possível sem a heroica participação  de  Dilma Rousseff.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O amor não pede licença ao mundo


RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL

É redundante reafirmar que o desmantelo do HGE é apenas ponta do iceberg, de um problema do tamanho do país.
Não sei se consola os alagoanos, mas, no período da matéria/denúncia da Gazeta de Alagoas, de domingo passado (17/03), as TVs exibiram o mesmo caos em hospitais de Minas Gerais. Na verdade, há um rodízio nas denúncias,  para diagnosticar o campeão dos piores, se Brasília, São Paulo, Recife, Fortaleza... Há quem garanta que não existe nada parecido com o HGE de Maceió. Folgadamente, o pior dos piores.
Há anos escrevo sobre esse tema. Discordo quando se tenta datar o desmantelo em 2007. Dá a impressão de que tudo corria maravilhosamente até então. A Saúde bombavaTempos bons (!?): os médicos ganhavam bem (?) e o sindicato achava o governo o máximo.
A ressalva não diminui a responsabilidade dos governantes. Na realidade o desmonte da Saúde começou lá atrás, meados dos anos 80, ainda na ditadura, moeda de troca, sindicalistas/sanitaristas aboletaram-se nas secretarias de Saúde. Cubanistas de carteirinha, sonhando com a Albânia, esses caras traziam na alma poços de mágoa.  
Um dos pontos altos dessas gestões foi a compra de uma carreta “fechada” de supositórios de glicerina... Em meio a grandes farras e memoráveis surubas desconstruiu-se impiedosamente a assistência hospitalar. Graças a Deus que restaram o Hospital Einstein e Sírio Libanês para devolverem voz, violão e tesão ao querido guru Luiz Inácio, o nosso São Jorge de Bordel.
Se o HGE superlotado é essa podridão, onde ratos, baratas, dejetos humanos e restos de membros dividem lençóis com pacientes, a raiz dos problemas atende pelo nome de SUS. Nada mais que uma sigla, o SUS humilha médicos e hospitais conveniados. Só suicidas (ou amigos do rei) aceitam transferir os doentes infectados do HGE.
Faltam verbas? Petrópolis chafurda por tríplice incúria: federal estadual e municipal. A síntese da Educação está no Enem. A Segurança é uma vergonha. Enquanto isso, nossa piedosa presidente está em Roma, numa Dolce Vita (só falta o Mastroiani). Ironia das ironias. Presente à posse de um papa que dá lições de humildade, profundo mistério ronda a recusa de Dilma para hospedar-se no prédio da Embaixada. Com seu séquito milionário conquista Roma, que cai de quatro diante de tanta ostentação. Luxo pago pelos usuários do SUS, como uma lânguida Cleópatra, deleita-se em boas companhias num dos 
hotéis mais  caros da Urbe. Curiosos e palpiteiros juram: quando o amor acontece não pede licença ao mundo.


sábado, 16 de março de 2013

Miserando atque eligendo



Miserando atque eligendo



Ronald Mendonça

Médico e membro da AAL






Soa inquestionável que os médicos cooperados da Unimed queriam que a atual diretoria permanecesse à frente da entidade para um segundo mandato. De fato, foi um desejo expresso nas urnas, em votação livre e secreta nesse dia 13/03. Certamente (espero), sem conchavos, negociatas espúrias, promessas de favorecimentos ou outros expedientes inconfessáveis, comuns em territórios alhures.

Sem baixarias, bolsa família, bolsa consulta, bolsa exame, injúrias, calúnias ou difamações, a lealdade do certame não deixa dúvidas sobre a maturidade da cooperativa. A verdade é que qualquer que fosse o eleito, estaríamos bem servidos. Nesse aspecto, não há perdedores. Não obstante, quer parecer imprescindível que a atual diretoria comece a preparar-se para voltar à planície, ao fim do mandato, entregando o bastão a um sucessor idôneo e capaz.

Perpetuar-se no poder é coisa de ditadura. Dois mandatos já estão de bom tamanho. É tempo suficiente para o sujeito gastar as idéias, exaurir a criatividade e esgotar a libido. Afinal, a Unimed não é uma Cuba, muito menos uma Venezuela. É pacífico que o poder vicia, embriaga e corrompe. Não vamos repetir erros. Tem gente por aí que não quer largar o osso, nem a pau. Se alguém fala em rodízio, alternância de poder, o sujeito vira uma fera. O único rodízio que ele aceita discutir é o de picanha...

De tudo, o que parece fundamental é que a Unimed não deve lidar com seus cooperados e associados como um plano de saúde comum, posto que eliminamos o espectro do intermediário. Com efeito, ao nos juntarmos numa cooperativa, elidimos Bradescos, Smiles e outras figuras que nos sugam e nos humilham.

Falo em eleições e já me lembro das bolsas esmolas que o governo federal espertamente distribui. Quem pode ser contra um pão que se doa a um faminto? Atire a primeira pedra quem não se sensibiliza com as sebentas cuias vazias seguras por trêmulas e esquálidas mãos estendidas nas portas dos restaurantes, nas calçadas das igrejas, nas esquinas e becos... Por isso a tolerância a esses óbulos eleitoreiros.

Habemus papam. A cadeira de Pedro está ocupada. Seu caduceu nas mãos de um consistente argentino. Francisco foi dissecado pela esquerda e pela direita. Pela frente e por trás, rostral e caudalmente. Como já se disse, mesmo agnóstico, é bom saber que atrás daquelas vidraças há um homem de vestes brancas preocupado com os costumes. Sempre haverá quem ande na linha apenas porque morre de medo das labaredas do inferno.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Miserando atque eligendo

Miserando atque eligendo 

Ronald Mendonça
Médico e membro da AAL


Soa inquestionável que os médicos cooperados da Unimed queriam que a atual diretoria permanecesse à frente da entidade para um segundo mandato. De fato, foi um desejo expresso nas urnas, em votação livre e secretanesse dia 13/02. Certamente (espero), sem conchavos,negociatas espúrias, promessas de favorecimentos ou outros expedientes inconfessáveis, comuns em territóriosalhures.
Sem baixarias, bolsa família, bolsa consulta, bolsa exame,injúrias, calúnias ou difamações, a lealdade do certame não deixa dúvidas sobre a maturidade da cooperativa. A verdade é que qualquer que fosse o eleito, estaríamos bem servidos. Nesse aspecto, não há perdedores. Não obstante, quer parecer imprescindível que a atual diretoria comece a preparar-se para voltar à planície, ao fim do mandato, entregando o bastão a um sucessor idôneo e capaz.
Perpetuar-se no poder é coisa de ditadura. Dois mandatos já estão de bom tamanho. É tempo suficiente para o sujeito gastar as idéias, exaurir a criatividade e esgotar a libido. Afinal, a Unimed não é uma Cuba, muito menos uma Venezuela. O poder vicia, embriaga e corrompe. Não vamos repetir erros. Tem gente por aí que não quer largar o osso, nem a pau. Se alguém fala em rodízio de poder, o sujeito vira uma fera. O único rodízio que ele aceitadiscutir é o de  picanha...
De tudo, o que parece fundamental é que a Unimed nãodeve lidar com seus cooperados e associados como umplano de saúde comum, posto que eliminamos o espectrodo intermediário. Com efeito, ao  nos juntarmos numa cooperativa, elidimos Bradescos, Smiles e outras figuras que nos sugam e nos humilham.
Falo em eleições e já me lembro dos bolsas esmolas que o governo federal espertamente distribui. Quem pode ser contra um pão que se doa a um faminto? Atire a primeira pedra quem não se sensibiliza com as sebentas cuias vazias seguras por trêmulas e esquálidas mãos estendidasnas portas dos restaurantes, nas calçadas das igrejas, nas esquinas e becos... Por isso a tolerância a esses óbulos eleitoreiros.
Habemus papam. A cadeira de Pedro está ocupada. Seu caduceu nas mãos de um consistente argentino. Franciscofoi dissecado pela esquerda e pela direita. Pela frente e por trás, rostral e caudalmente. Como já se disse, mesmo agnóstico, é bom saber que atrás daquelas vidraças há um homem de vestes brancas preocupado com os costumes.Sempre haverá quem  ande na linha porque morre de medo das labaredas do inferno.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Nove de março

NOVE DE MARÇO
Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.
Vítima de assalto numa padaria, o jornalista Joaldo Cavalcante, em contundente artigo, responsabilizou o atual governador pela precária situação da Segurança Pública de Alagoas. De fato, sem falsas modéstias, repetidas pesquisas vêm demonstrando como temos evoluído desde o ano 2000. Hoje, disputamos pau a pau a liderança desse ranking. Há 13 anos, eram modestas 25 mortes por cem mil habitantes. Em 2006, conseguimos atingir entre 50 e 56 mortes por cem mil. Hoje, nossa marca supera as 60!

Não é difícil inferir que o país está comandado por facínoras e à mercê de facções de todos os credos. São Paulo, mesmo, que até o ano passado brandia dados escandinavos, apenas nesses dois primeiros meses viu dobrarem os crimes de morte. A Bahia é caso sem jeito, e até a pacata Florianópolis vive tempos de horror. Vitória, Recife e Fortaleza têm índices medonhos. Sem falar no Rio de Janeiro, pai e mãe do banditismo.

Alagoas nunca foi um lago de mansas águas. Em novembro de 1999, nossos filhos Lavínea e Ronald (que neste 09 de março completaria 36 anos), de 28 e 22 anos na época, foram friamente mortos por um empregado da casa. Latrocínio premeditado e covarde. Roninho, estudante de Direito e professor de inglês, diariamente dava carona ao criminoso. Não há como deixar de registrar o repúdio pela fala mentirosa, desonesta até, do defensor público por tentar denegrir a memória dos filhos mortos.

Não foi o único a querer aparecer. Um desconhecido marxista delirante achou-se no direito de nos admoestar. Por cartas, pedia-nos resignação. Segundo ele, fomos alvos da inexorável marcha da história que, como sabem, tem o comunismo como destino final. Ali era o retorno da luta de classes, em estado larvar desde o melancólico esfarelamento das ditaduras comunistas. O assassino seria, por essa via, algo como um agente do proletariado. Um guerrilheiro a serviço do stalinismo.

Várias vezes levantamos a suspeita de que houve participação de mais pessoas no momento dos crimes. Ficou claríssimo que uma inescrupulosa ex-patroa receptava objetos e valores roubados da minha casa pelo bandido. O tempo nos convenceu de que essa escroque era uma das únicas pessoas no mundo em condições de salvar nossos filhos. Fechando o círculo macabro, as vidas da Lavínea e do Roninho estiveram também nas mãos de uma loja de armas e de um soldado do Exército, que, criminosamente, forneceram arma e munição.