quinta-feira, 7 de março de 2013

RENÚNCIAS DESGOSTOS QUE NÃO TÊM REMÉDIOS

RENÚNCIAS, DESGOSTOS QUE NÃO TÊM REMÉDIOS





RONALD MENDONÇA –

médico e membro da AAL.


Ao renunciar à Presidência da República, em 1961, poucos meses depois de assumir, o imprevisível Jânio da Silva Quadros provocaria uma diabólica crise institucional. Finalmente, um meio termo seria encontrado: João Goulart, vice e natural substituto, assumiria num transitório parlamentarismo meia-boca. Um golpe militar, em 1964, detonaria o mandato do anfótero Jango.

O que parecia ser a duração de uma ressaca de agosto, a aventura castrense se estenderia por longos 21 anos, até o ladino Zé Sarney, por vias tortas, assumir. Seu sucessor, após impor, na primeira eleição direta pós-ditadura, acachapante derrota ao adversário, renunciaria na metade do mandato. Quartéis emudecidos, a Constituição prevaleceu e o vice, Itamar, tomou posse sem sustos. Mas isso é outra história.

A vida é feita de renúncias, muitas vezes provocando desgostos que não têm remédios. Direito garantido até pela Carta Magna, a não ser nas ditaduras, abrir mão de cargos deveria ser considerado normal.

Mesmo tratando-se de um déspota, como é o caso do nosso Fidel I, que anos atrás abdicou em favor de seu irmãozinho caçula. Ainda que seja um papa, tal qual tem-se hoje com a desistência de Bento 16.

Abro parêntese para dizer que ao perder um tirano, Cuba ganhou um progressista deputado. É que Fidel Castro foi eleito e ninguém sabia. Pelo frisson que sua augusta presença causou, no conclave de aclamação de Raulzito, conclui-se que o ex-ditador é tão faltoso quanto boa parte dos seus eminentes colegas brasileiros.

É possível que (como ocorre no parlamento brasileiro) os compromissos de Castro com a na Câmara cubana sejam substituídos pelas clássicas visitas aos eleitores. Atire a primeira pedra aquele que nunca precisou de uma mão amiga em inopinados funerais de parentes; no inesperado parto de uma filha; na recomposição de um muro fustigado pelos temíveis ciclones tropicais... De uma ajudinha em prosaicas passagens para Miami, ou até para o Brasil. Afinal, eleitores carentes e políticos magnânimos são encontradiços em qualquer parte do mundo. Talvez alguém possa até informar se em Cuba existe a avançada lei social que assegura 14º e 15º salários aos dedicados parlamentares brasileiros.

A tristeza está roendo. Chora a pátria mãe gentil. Choram Marias e Clarisses. Não é para menos. Aconteceu o que todos temiam. Decepcionado, ele não voltará. Se já não bastassem as perdas de Zé Dirceu, Palocci e outros, a nação terá que conviver com a terrível ausência do deputado Tiririca."

sábado, 23 de fevereiro de 2013

E ASSIM SE PASSARAM 10 ANOS
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL


Virgínia Helena Soares da Silva é a médica acusada de, por meio escusos,
“desentulhar” a UTI que comandava, em Curitiba. Sem dúvidas, é uma pessoa detestada
pelos seus subalternos, condição que torna os depoimentos, no mínimo, relativizados.
Um trabalho médico como tantos outros, o intensivismo tem como peculiaridade cuidar
de pacientes no fio da navalha. Não é lugar para pândegos, irresponsáveis ou medíocres
ressentidos.
De qualquer forma, tudo leva a crer, caso comprovem-se as suspeitas, de que se trata de
uma psicopata atuando em função incompatível. Provavelmente, julgar-se-ia emissária
do anjo vingador. Talvez uma auxiliar de Caronte, o sinistro barqueiro. O destino
parece ser manicômio judiciário.
Imagine-se uma mulher com esses pendores, apaixonada por alguma facção política.
Alucinada por uma ilha sob o tacão da dinastia Castro. O que restaria, por exemplo, da
polêmica Yoani Sánchez, caso o capricho dos astros as colocassem juntas? A blogueira
entubada sob os cuidados de Virgínia Helena... Presumem-se cacos de cubana para tudo
que é lado.
Mudo o foco. Em que catecismo estudaram os arrogantes democratas (PT, PSOL e
PCdoB) para perseguirem uma estrangeira, cujo maior pecado consiste em discordar do
comunismo/fascismo do país onde vive? De onde provém o direito à gratuita agressão?
Quem manipula e garante esses vociferantes? Afinal, imigrando legalmente, a mulher
protesta, no seu país, pacificamente. Corajosa, mesmo peitando uma sanguinária
ditadura, ainda assim não carrega pendências penais.
De onde o ódio a essa mulher? Do aceitar prêmios? Merece a danação por não relatar
abobrinhas? Não somos cubanos, companheiros! Espantosamente, Battisti, um facínora
italiano, terrorista de carteirinha, condenado por assassinatos, tem, aqui, tratamento de
príncipe.
Tristeza, por favor, vá embora. A hora é de abraços e beijocas. Esqueçam o drama de
Santa Maria, o humilhante pibinho, as calamitosas saúde, educação e segurança; os
apagões, o finado Celso Daniel, Lulinha Jr. (nosso Bill Gates) o desmonte da Petrobrás,
a farsa do pré-sal, o mensalão, e até as viuvinhas que Lula diz ter papado...
PT, 33 anos de fundação e 10 de governo. Partido da ética. Que não rouba nem deixa
roubar. Patrimônio e orgulho dos brasileiros. Titular e reserva moral da nação, seu
quadro de estrelas torna-se especialmente radioso quando troca infindas carícias com
Maluf, Sarney, Lobão, Kassab e outras feras.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

CADEIRA VAZIA

CADEIRA VAZIA

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL






Quer-se compreender a imperial indiferença com que dona Dilma et alii receberam  a renúncia de Bento 16. Macumbeiros, ciganos,  adivinhos, petistas, tucanos, periquitos, homossexuais, aborteiros, comunistas, ateus, agnósticos, teólogos marxistas e seitas "evangélicas", que pululam por aí às pencas, no governo e fora dele, talvez tenham seus motivos para festejar a saída de Ratzinger. Freirinhas modernosas e padres casadoiros estariam no rol dos ressentidos.

Comenta-se que um inconfidente valet de chambre de S. Santidade ao apoderar-se de  dados "comprometedores",  teria sido a gota d´água.   Em nome da unidade católica, num supremo sacrifício, o papa joga a toalha. Torço para que dados impublicáveis não melem de vez a biografia do sumo pontífice.

O fato é que a  cadeira de Pedro está vazia.  A meu ver Bento encheu o saco. Não está mais a fim de sorrir sem  vontade, de distribuir bênçãos ao léu,  de dar frugais adeusinhos a  hordas de babacas travestidos de peregrinos, que viajam milhares de quilômetros, muitas vezes arriscando suas vidas em aviões inóspitos, pilotados por alcoólatras tarados.

Nesse momento, o  mínimo que se pode fazer é respeitar a vontade de um ancião. O cara está doente. Ninguém de 85 anos  esbanja saúde de touro premiado.  Presume-se que nosso herói tenha perdido a tesão para usar aquelas vestes extravagantes, aqueles  grotescos chapéus. O homem cansou. Chega um momento  em que a liturgia do cargo torra a paciência do mais virtuoso dos homens. Até o Sarney arriou o bombo...

Vaticanistas e outros palpiteiros  especulam sobre papáveis.  Atrevo-me a conjecturar se não estaria na hora de um ecumenismo mais amplo. Em meio a Malafaia e R. Soares,  Edir Macedo teria tutano para agarrar no caduceu de Pedro? Sustaria o  avanço sarraceno?

Claro, a ousadia seria menor se a escolha recaísse no clero sul-americano. D. Fernando Lugo,  o lendário bispo reprodutor  paraguaio e os piedosos teólogos   Betto e Leonardo Boff não podem ser descartados. Monsenhor Luiz Marques e Padre Júlio Lancellotti,  incondicionais guardiães da infância, são nomes fortíssimos.

 Não vou negar: se dependesse do meu voto, casado, solteiro ou amigado, Lula já estaria lá.  Culto, piedoso, sobretudo ético e honesto, além de misericordioso com viúvas, é o cara certo para moralizar recintos. De cara, criaria o bolsa-hóstia e o bolsa-sermão. Com ele iriam  os cardeais do PMDB. 
 
 De quebra, exporia os esqueletos de Hugo Chaves e de Fidel para adoração em câmara ardente. Sob as batutas de Valério e Zé Dirceu & Cia o Banco do Vaticano iria bombar. Completando a equipe,  as delicadas  femmes de chambre, ninguém menos que  Erenice, Dilma e Rose. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Se vocês fossem sinceros



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

UM TEXTO DE RONALD MENDONÇA


SE VOCÊS FOSSEM SINCEROS

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL
Tendo a tragédia de Santa Maria como pano de fundo, acometidos por profundo surto de
compaixão humana, os dirigentes do nosso país, essa honrada gente, as verdadeiras elites,
combinaram fingir-se de morto nesse carnaval.

De súbito, querendo posar de competentes, repetem "rigorosas" perícias na sinistrada boate
Kiss, como se buscassem a poção da bruxa má. Alguma prova de que algum terrorista da
direita tivesse responsabilidade. Quem sabe, teria sido a imprensa golpista a causadora
do acidente, e não a mistura explosiva de inconsequentes, gananciosos e irresponsáveis.
Economizemos: o governo gaúcho é um dos principais cúmplices desse desastre.

É impressionante como um caso esclarecido fica sendo alvo de interminável masturbação
pericial. Enquanto isso, as mortes causadas pelo composto Gadolíneo, usado em exames de
Ressonância Magnética, permanecem sem explicações. Os exames estão parados.

Calejado pela profissão e pela vida, comove-me o ar de sincera comoção dessa gente.
Ninguém neste país está sofrendo mais do que nossa presidente. Tivesse mais intimidade (e
mais saúde) ousaria oferecer-lhe o velho e sofrido colo como abrigo.

O momento é de perda. A mídia hegemônica não tem dado refresco. Imaginem que em pleno
carnaval, esses jornalistas vêm lembrar que a Petrobrás, "a maior empresa do mundo", está
pipocando, arfando. Cabide de empregos, os companheiros e aliados chuparam demais nas
tetas da coitada. Ela não aguentou tantas bocas sequiosas ao mesmo tempo...

Lula também compartilha desse momento. E sofre sua dor resignadamente. São tantas
emoções fortes que podem até atiçar o seu câncer de garganta, até agora dragão submisso
à poderosa lança de S. Jorge. À sorrelfa, ouve-se dizer que amigos mais íntimos (Delúbio,
Genoíno, Rose..) têm-lhe receitado meditação transcendental, que incluiria autênticas
garrafadas mineiras made in Salinas.

O fato é que nossos comovidos governantes pensaram em cancelar ou pelo menos adiar as
comemorações do tríduo momesco. Com os corpos dos jovens brasileiros ainda quentes, uma
dose de respeito público talvez fosse bem-vinda...

Entre nós, em meio à dor e à saudade, o desfile do Pinto da Madrugada bombaria. Superou
as expectativas mais otimistas. A maciça presença de compungidas personagens do nosso
mundo social, cujos semblantes, flagrados em fotografias, não deixaram dúvidas sobre as
indeléveis marcas que a tragédia de Santa Maria lhes causou.

Um comentário:

  1. Excelente texto ! Entretanto acho que o Dr Ronaldo está "desatualizado" agora sim o Instituto Geral de Perícias ou o Delegado vão descobrir a causa do incêndio ,querem reconstituir a cena com TODOS os sobreviventes!Imagine quase mil pessoas,ou mais,passando NOVAMENTE pela situação da qual escaparam milagrosamente.Imaginem a quantidade de papel para tomar os depoimentos de cada um e sem falar no sofrimento pessoal de cada um.As perguntas que não querem calar é: Quem é o verdadeiro proprietário da Boite ? E por qual motivo até agora não se falou em seguro da casa noturna? Ou melhor QUEREM calar essas perguntas !


domingo, 3 de fevereiro de 2013

O LARGO COLO DE DEUS

O LARGO COLO DE DEUS
Por: » RONALD MENDONÇA – médico e membro da AAL.
Segredam-me obreiros evangélicos que de há muito Jeová havia decidido abdicar daqueles métodos, digamos, linha dura, historicamente aplicados em célebres acontecimentos, de triste memória, como a devastação de Sodoma e Gomorra, badaladas comunidades gays. Ao escapar fedendo, Ló deveu sua vida ao carinho de Deus por tio Abraão.

A divina ira fez-se sentir mais uma vez no desmantelo conhecido como dilúvio. Grande administrador, não fora o bom Noé um sujeito com as qualidades morais e éticas que todos admiramos, e nem ele teria escapado.

Por sinal, ainda hoje fico surpreendido com a engenhosa nave que teria abrigado o patriarca e sua numerosa prole, além de casais de animais de todas as espécies. Penso que foi dali que surgiu a ideia do jardim zoológico. Incrível! Bichos habitualmente arredios, inamistosos, sem muitas noções de higiene, convivendo fraternalmente, intuiriam que não poderiam estar se comendo uns aos outros, sob pena de irrevogável extinção.

A verdade, no entanto, precisa ser dita. Jeová nunca perdeu completamente a esperança. Claro que muitas águas rolaram e muitos homens e mulheres se amaram.

Ciclotímico, o humor celestial, como era de se esperar, era sujeito a variações. Gostava de testar a fé dos seus servos. Jó foi um dos caras que sofreu o diabo, ainda que imerecidamente. Isaac, filho da anciã e menopausada Sara, foi outro que quase se estrepava. Fazer o quê? Como diria Zé Dirceu, ordens divinas não se discutem. Cumprem-se.

Criado o pecado, inventou-se o perdão. Contudo, a inclinação para os castigos é inelutável. De quando em vez, para os meus orientadores espirituais, inopinadamente, Deus resolve mandar seus recados. Uma tsunami ali, um terremoto acolá... Um dia, é um vulcão que fica bravo, são torres que desabam...

Como ia dizendo, Deus está sempre à nossa espera com o coração cheio de amor e as mãos repletas de perdão. Ele oferece todas as chances para o sujeito se reconciliar. E quando a gente vê uma fria ex-terrorista chorando convulsa diante de um funesto acontecimento é que se tem a certeza de que Deus obrou naquela alma odienta.

Defensores da máxima “errar é humano”, Fernandinho Beira-Mar e Carlinhos Cachoeira, pela graça de Deus, levando vida monástica, estão em vias de conversão.

Doutra parte, ninguém tem dúvidas sobre o pungente arrependimento dos nossos Sarney, Maluf, Genoino, Henrique Alves, Demóstenes, dentre outros.

sábado, 12 de janeiro de 2013

CAPITAL E PREGUIÇA: COTAS E QUE TAIS

CAPITAL E PREGUIÇA: COTAS E QUE TAIS
RONALD MENDONÇA
MÉDICO E MEMBRO DA AAL




Com certo espanto acompanhei pelo rádio uma entrevista de um sujeito identificado
como arauto do Ministério da Educação, especificamente do SISU, o “incompreendido”
sistema de inscrição universitária. Tremendo cara de pau, o  entrevistado expressou comovente contentamento com o que denominou de “adesão voluntária dos estudantes brasileiros” (como se houvesse
alternativas), prova inequívoca do acerto em nacionalizar o vestibular.
Nosso heroi, certamente incorporando algum espírito zombeteiro, preferiu ignorar
o caso de polícia em que se transformou o exame para ingresso nas instituições
universitárias federais. Caos, aliás, que tem o seu coroamento na hora da inscrição, o
aludido SISU. Por fim, responsabiliza a internet como a causa do problema, como se
sua trupe, nos comunistóides delírios centralizadores (“equidade”), não tivesse previsto
as limitações da rede.
O sujeito fala em “equidade” e elide as desigualdades regionais no ensino médio
que fazem com que as vagas nos nossos cursos mais concorridos sejam ocupadas
por alunos de outros Estados. O ápice da desordem foi a falta de preenchimento
de onze vagas no curso médico! A entrevista passaria ao largo das cotas para os
afrodescendentes. É a síntese do País.
País que nega a existência de apagões, eufemisticamente apelidado de “interrupções”
pela meiga presidente; que tem um Edison Lobão como responsável pela coisa; que na
hora H apela para o “se Deus quiser, esse país não terá apagões”. Com certeza, Deus, na
sua infinita misericórdia, jamais permitirá desgraças assim.
Sobretudo porque nossos gestores são escolhidos por Ele. Imaginem, por exemplo, se
o RJ não tivesse um Sérgio Cabral como governador. Mestre em caras e bocas, não
fora Cabral esse heróico administrador atento e respeitável, é possível até que o Cristo
Redentor já tivesse despencado do pedestal. Afinal, posto virem do céu, chuvas são
sempre abençoadas e bem-vindas.
País que, apesar do ufanismo governamental e das recalcitrantes negações, teve um
crescimento ridículo (“pibinho”), beirando a indigência, além da preocupante inflação
que desafia a genialidade dos companheiros, leitores compulsivos de Marx. (Sendo o
Capital um livro grosso, penso que ainda não chegaram nesse capítulo...)
No fundo, não restam dúvidas: a culpa pelo pibinho mixuruca e pela galopante
inflação é da mídia hegemônica, machista, reacionária, rancorosa e golpista que não se
conforma em ter uma operosa gerentona na presidência.

domingo, 6 de janeiro de 2013

EPIFANIAS

EPIFANIAS

RONALD MENDONÇA

MÉDICO E MEMBRO DA AAL






Montados em camelos, a essa altura do campeonato, guiados pela estrela mágica, os incríveis Reis Magos -  Melchior, Baltazar e Gaspar -  já estariam nas cercanias da manjedoura, emblemático berço daquele que viria limpar a barra dos herdeiros das traquinagens paradisíacas de Adão e Eva. Em outras palavras,  chegou para lavar e enxaguar nossa alma da nódoa do pecado original.

Fenômeno conhecido como epifania, os aludidos orientais prostrar-se-iam diante daquele berço deificado e ofertado mimos consagrados: ouro, incenso e mirra.

 Graças a Deus, não nasceu microcefálico, surdo ou cego. Muito menos com hidrocefalia. Seria fatal um descolamento de placenta. Embora primogênito, filho de uma virgem, desconhece-se a necessidade de realização de algum procedimento cirúrgico específico.

Todos sabem, o Menino escapou de males de toda sorte, inclusive da fúria assassina dos soldados do rei Herodes, o mesmo que viria a degolar o bom João Batista.

 Não havia moleza. No estábulo, poderia ter contraído o mortal tétano umbilical, na época com 100% de mortalidade. Infância a fora,  as temíveis diarréias devem ter assombrado sua mãe. Após os seis meses, resistiria à maldição da paralisia infantil, da coqueluche, do sarampo, da varíola, da papeira.

Aos 33 anos deixaria sua carpintaria e ganharia o mundo. Descrevem-se milagres que emocionam os corações mais empedernidos. Abominava o pecado na mesma intensidade com que amava o pecador. Meteu a chibata nos vendilhões do templo, conviveu com ricos e pobres, perdoou  prostitutas e cobradores de impostos. Seus Sermões e  parábolas são inesquecíveis. Tinha preferência por bons vinhos. Teve doze apóstolos, sendo traído por um deles. Pedro, um dos mais entusiasmados, o negaria três vezes. Morreria crucificado entre dois ladrões. Sofreu pra caramba.

Quase  dizia que jamais havia surgido pessoa com tais desígnios, quando me lembrei do nosso Lula. Nascido num casebre em Garanhuns fugiu da seca e foi para São Paulo. Um sobrevivente. Vendeu amendoins e esteve metalúrgico. Depois de um grave acidente de trabalho, largaria tudo para pregar o comunismo. No sindicato, tinha particular desvelo pelas viuvinhas recentes, consolando-as (“papando”) como podia.

Até chegar ao poder odiava os ricos. Dentre tantos outros, esculhambava com os milicos, Sarney, Maluf et quejandos.  Negar-se-ia  a assinar a Constituição de 1988, foi terrível adversário do Plano Real, da reeleição e das privatizações. Considerava o Bolsa Escola do FHC desastroso, um estímulo à malandragem. Depois de perder três eleições seguidas, ganharia dois mandatos. Apreciador de pingas, descobriu-se infalível “animal político”.

Foi implacavelmente perseguido pela imprensa hegemônica, reacionária e golpista. Seus mandatos foram marcados por ousadas realizações em prol do povo. Destaques para o mensalão e a transformação do seu rebento (Lulinha Júnior) no “nosso Bill Gates”. Como Cristo, teve apóstolos. Todos homens de bem, acima de qualquer suspeita: Palocci, Genoíno, Delúbio, Zé Dirceu,  João Paulo, Orlando Silva, Silvinho Land Rover, Dilma, Erenice e a bondosa Rose, verdadeiro Cirineu, que dava apoio logístico nas cansativas viagens aéreas e terrestres. Apóstolos há que queimam as mãos em sinal de fidelidade, como o prefeito Fernando Haddad.
 Nem tudo é perfeito. Um dos apóstolos mais ligados, Valério, justamente o que tomava conta da bolsa, o trairia miseravelmente, entregando-o às autoridades. Há quem diga que será condenado entre vários ladrões