O ENVELHECER DA CRÔNICA
Ilustres intelectuais, permitam-me dizer, alguns
colegas de Academias Literárias e outros que não a buscam por a considerarem um
ranço “de gosto pequeno-burguês”, ali e acolá, repito, há quem propale que a
crônica será um estilo híbrido, não vindo a ser um “puro-sangue” literário.
Seguindo a cartilha, a crônica será “híbrida”, ou seja, uma mistura de
jornalismo com pitadas de literatura. Por esse viés, um tisnará o outro. Desta forma, nem é jornalismo,
muito menos literatura.
Alguém já me disse, não sem acrimônia, que eu
não seria, rigorosamente, um intelectual. Imaginem a minha candura e decepção, pois
até aquele exato instante, considerava-me, pretensiosamente, é claro, um
“intelectual”. Embora, como consolo, desde que colei grau em Medicina, em 1971,
nunca tenha me sido negada a condição de “médico”.
Conquanto aniônicos comentários, por mera teimosia,
continuei a escrever textos para jornais, até o dia em que o próprio jornal,
para o qual enviava, há duas décadas, semanalmente, minhas alinhavadas
crônicas, cassou-me a palavra. Meus textos teriam sido considerados “malditos”
pela mais importante mídia de Alagoas. Fazer o quê? A coluna vertebral anquilosou
e impede-me salamaleques.
Ainda assim, não obstante a
negação frontal do talento de “intelectual de verdade” e de ter minhas palavras
silenciadas pela mídia alagoana, continuei a produzir. Passei a publicar
unicamente pela mídia social, denominada “Facebook”. Ignoro se sou bem ou mal
lido. Acho que a segunda hipótese é a mais provável.
No momento em que me proponho a
colecionar os textos e publicá-los em forma de livros, deparo-me com uma
irrefutável verdade: a crônica adquire tinturas senis. Ainda assim, mais uma
vez, audaciosamente, sigo em frente. O máximo que me ocorre é datá-las. Talvez,
para algum leitor mais curioso dar-se ao trabalho de confrontá-las com o
momento histórico em que foram escritas.
Reúno, nesse livro, “ Vadias
Memórias de Um Suburbano”, além das “amaldiçoadas” crônicas, contos relativos
ao bairro de Bebedouro, sítio recorrente das minhas memórias. Outros haverá sem
precisão específica, posto serem de temas
universais: AMOR, PAIXÃO, AMIZADE, CIÚME, TRAIÇÃO, MORTE E PERDÃO.
Incluo textos que me são muito caros, do meu pai, José Lopes de Mendonça,
do filho, Carlos Eduardo Oliveira de
Mendonça e do neto, Caio Risco Bert de
Mendonça. E até um poema!
Maceió (Alagoas), maio de 2019
Ronald Cabral
de Mendonça
O ENVELHECER DA CRÔNICA
Ilustres intelectuais, permitam-me dizer, alguns
colegas de Academias Literárias e outros que não a buscam por a considerarem um
ranço “de gosto pequeno-burguês”, ali e acolá, repito, há quem propale que a
crônica será um estilo híbrido, não vindo a ser um “puro-sangue” literário.
Seguindo a cartilha, a crônica será “híbrida”, ou seja, uma mistura de
jornalismo com pitadas de literatura. Por esse viés, um tisnará o outro. Desta forma, nem é jornalismo,
muito menos literatura.
Alguém já me disse, não sem acrimônia, que eu
não seria, rigorosamente, um intelectual. Imaginem a minha candura e decepção, pois
até aquele exato instante, considerava-me, pretensiosamente, é claro, um
“intelectual”. Embora, como consolo, desde que colei grau em Medicina, em 1971,
nunca tenha me sido negada a condição de “médico”.
Conquanto aniônicos comentários, por mera teimosia,
continuei a escrever textos para jornais, até o dia em que o próprio jornal,
para o qual enviava, há duas décadas, semanalmente, minhas alinhavadas
crônicas, cassou-me a palavra. Meus textos teriam sido considerados “malditos”
pela mais importante mídia de Alagoas. Fazer o quê? A coluna vertebral anquilosou
e impede-me salamaleques.
Ainda assim, não obstante a
negação frontal do talento de “intelectual de verdade” e de ter minhas palavras
silenciadas pela mídia alagoana, continuei a produzir. Passei a publicar
unicamente pela mídia social, denominada “Facebook”. Ignoro se sou bem ou mal
lido. Acho que a segunda hipótese é a mais provável.
No momento em que me proponho a
colecionar os textos e publicá-los em forma de livros, deparo-me com uma
irrefutável verdade: a crônica adquire tinturas senis. Ainda assim, mais uma
vez, audaciosamente, sigo em frente. O máximo que me ocorre é datá-las. Talvez,
para algum leitor mais curioso dar-se ao trabalho de confrontá-las com o
momento histórico em que foram escritas.
Reúno, nesse livro, “ Vadias
Memórias de Um Suburbano”, além das “amaldiçoadas” crônicas, contos relativos
ao bairro de Bebedouro, sítio recorrente das minhas memórias. Outros haverá sem
precisão específica, posto serem de temas
universais: AMOR, PAIXÃO, AMIZADE, CIÚME, TRAIÇÃO, MORTE E PERDÃO.
Incluo textos que me são muito caros, do meu pai, José Lopes de Mendonça,
do filho, Carlos Eduardo Oliveira de
Mendonça e do neto, Caio Risco Bert de
Mendonça. E até um poema!
Maceió (Alagoas), maio de 2019
Ronald Cabral
de Mendonça
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